MUNDO JOVEM - Rivalidade diverte torcedoresGrupo de amigos monta bolão de apostas para brincar com os resultados do Campeonato Brasileiro
Futebol é mesmo a grande paixão do brasileiro. E torcer é uma das primeiras coisas que todo garoto aprende assim que ensaia o primeiro contato com o mundo da bola. Quando cresce, descobre o grande ''charme'' de ter um time preferido: a rivalidade - brincadeira sadia que faz parte de clássicos como Londrina e Maringá, Atlético e Coritiba, Corinthians e Palmeiras, Flamengo e Vasco, entre outros.
Em Curitiba, um grupo de 16 amigos que se encontra periodicamente para um happy hour em um bar no Centro da cidade resolveu levar a rivalidade para os famosos ''bolões'', aquelas apostas em que todo mundo arrisca um palpite e ao final o vencedor leva um prêmio. ''Além de aumentar o número de encontros e sempre estarmos reunidos para assistir a rodada, o bolão virou motivo para troca contante de e-mails e gozações'', explica o jornalista Carlos Guimarães Filho, um dos organizadores da brincadeira com os resultados do Campeonato Brasileiro.
O bolão ''Chutes & Bebes'', como foi batizado, deu certo e já está no segundo ano. ''Ele foi criado há dois anos porque temos um grupo em que o futebol nos une, foi uma maneira de unir o pessoal para uma confraternização'', reforça o publicitário João Paulo Silveira, de 27 anos, idealizador do blog, sediado no endereço virtual http://chutesebebes.blogspot.com, que reúne informações sobre ranking, músicas e claro, gozações. ''Às vezes a gente faz umas montagens com filmes. Fizemos uma do Coritiba, em que a gente apelidou os coxa-brancas de ''coelhos verdes'' e então montamos um cartaz de filme com o nome ''O Caçador de Coelhos Verdes'', para tirar um sarro neles'', diverte-se o bancário Luís Guimarães, de 27 anos.
No bolão ''Chutes & Bebes'', quem acerta o vencedor da partida em questão ganha um ponto. O acertador do palpite de placar do vencedor da partida leva dois pontos e quem apostou no placar exato recebe três pontos. ''Mandamos as apostas três ou quatro dias antes e fazemos os palpites até 24 horas antes da partida. Tem gente que lê jornal para saber sobre cartões amarelos e jogadores contundidos e todo mundo fica secando o resultado do outro'', afirma Filho. O último colocado de cada rodada paga R$ 5, o 15º deve R$ 4, e assim por diante. No final do primeiro turno, o líder ganha uma camiseta de treino de um time a escolher e no término do campeonato o primeiro colocado ganha uma camiseta, paga com o dinheiro de cada rodada e da final, em que a partir do terceiro colocado os participantes devem desembolsar, R$ 5, R$ 10, R$ 20, etc.
''O bolão deu tão certo que teve muito amigo nosso que queria entrar e acabou ficando de fora, mesmo assim o número de participantes cresceu de 12 para 16. Esse ano nós fizemos uma caneca e também temos as apostas paralelas'', destaca Filho. As apostas paralelas envolvem jantares, bolas, caixas de cerveja e até uniformes completos. O líder costuma ter o ''direito'' de tirar um sarrinho sobre todos os outros participantes. O atual, Daniel Poc Leite, empresário de 30 anos, prefere ser mais discreto. ''Sou mais quietão, não sou muito de ficar zoando. Quem mais fala é o Carlos, que é o lanterna'', brinca.
A rivalidade entre Atlético e Coritiba, claro, não fica atrás. O vencedor do ano passado, o bancário Rafael Fabri, de 27 anos, ganhou também o primeiro turno desta edição e provoca os adversários, especialmente os rubro-negros. ''A fórmula para vencer é conhecer o futebol. Esse ano os caras aprenderam e melhoraram um pouco. Mas às vezes eu mando a seleção do campeonato para o pessoal se espelhar.'' O atleticano Victor Fernandes, bancário de 27 anos, responde. ''Não entender de futebol é primordial para ganhar o bolão'', alfineta.
Apesar da tradicional ''troca de gentilezas'', o grupo diz que não faz sentido aceitar brigas por causa disso. ''Nunca deu briga. Até porque o propósito é justamente o contrário, a gente faz isso para juntar as pessoas'', lembra Silveira. E até mesmo a ''velha guarda'' acaba entrando na brincadeira. ''Esse é o segundo ano deles e fico feliz que me convidaram para participar. A geração é outra mas tento entrar no espírito da brincadeira deles'', comenta Carlos Guimarães, pai de dois participantes e dono do bar onde a galera se encontra para se divertir a cada rodada.
Jornalista: Claudio Yuge

Rafael Fabri, torcedor do Coxa, e Luiz Henrique Rui, do Atlético: amigos levam com bom humor disputa entre times preferidos

Parte dos 16 integrantes do bolão ‘‘Chutes e Bebes’’: palpites que rendem dinheiro e muita diversão